Esse texto abaixo consiste na tentativa de escrever uma história, simplesmente porque eu gosto de escrever. Não sou acadêmico (acho que isso está bem óbvio neh…). Opiniões a respeito do texto serão aceitas e consideradas. ;)
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Eu via algo. Não sei ao certo o que era aquilo, simplesmente sabia que enxergava algo. Em uma confusão entre corpo e espírito eu me lembrava de minha, talvez, última atitude: Havia cortado os pulsos com lâminas de barbear. Por quê? Porque, meu Deus, eu faria algo tão estúpido, tão suicida? Se a intenção era se matar, eu já estava morto. Foi quando perdi a consciência. Acordei no que parecia ser um hospital, provavelmente um daqueles SPAs de loucos, aqueles com decorações caras, mas com profissionais estúpidos. Minha família estava ao meu lado na cama. De que adiantava o amor sem atitudes, certo? Então eles tomaram uma atitude: internaram-me compulsoriamente – o que era ilegal para a época. Só me lembro de ter visto no jornal antes “internação compulsória para viciados em drogas poderá ser obrigatória”. Irônico como não havia vagas para internação voluntária, porém compulsoriamente eles encontravam vagas.
O Hospital mais parecia uma casa de campo, ou veraneio: cadeiras de palha, arte brega na parede, sofás verdes, cobertas laranja, etc. Minha família parecia se importar com o meu estado mental, que não era dos melhores. Demonstravam desinteresse em relação a minha vida, mas bastava eu ter um colapso nervoso me internavam, e passavam a demonstrar algum interesse por minha pessoa. E aquele não era o meu primeiro colapso nervoso.
Eu falaria com o médico no dia seguinte. Provavelmente não me lembrava de ter falado com ele no dia da internação. O dia demorava a passar, e os outros pacientes pareciam interessados em interagir comigo, eu me perguntava se eu era só mais uma distração para os outros pacientes.
Interessante como uma tentativa de suicídio provoca uma reflexão sobre sua vida. Fiquei pensando: Por que eu havia feito aquilo? Existia um motivo principal? Será possível que minha vida é pior do que a morte? E o que vem depois disso, a morte? Algum tipo de existência melhor? Ou talvez pior no meu caso, pois estava tentando cometer um pecado. Se eu tivesse sido bem sucedido em minha tentativa, teria eu descoberto algo?
Passou pela minha mente que talvez esse fosse um dos motivos: essa questão preenchia tanto minha mente, que talvez eu tivesse feito isso para descobrir algo. Cansado de esperar respostas, eu fui procura-las da pior maneira possível.
Mas o que eram as respostas? Deus? Satisfação? Felicidade? Talvez eu usasse aquele tempo ali para descobrir justamente isso.
Acordei e sentei na cama. Na verdade estava ansioso por este dia. Seria o dia em que eu falaria com o médico. Médicos são muito arrogantes, provavelmente ele nem me ouviria. Entre o café da manhã e a hora que eu falaria com o médico, 10horas para ser mais exato, eu tentei fumar um cigarro. Eu nunca havia fumado antes. Nem sequer tentado. Perguntava-me como pessoas em mal estado mental tentavam piorar seu estado em uma clínica em que justamente deveriam melhorar isso. Foi quando me chamaram.
- Leonardo?
Uma enfermeira amável, mas um tanto quanto estúpida veio me chamar.
- Sim – Respondi.
- O médico irá te ver agora.
Enquanto caminhava pelos corredores da clínica, eu percebi como estava o estado em que eu havia chegado: deplorável, confuso, e um tanto quanto ambíguo em relação as minhas próprias emoções. Perguntei-me se existia um diagnóstico para isso.
Assim que entrei na sala passei meus olhos pelo consultório: alguns quadros bonitos (não bregas como os da clínica), alguns livros sobre medicina, e quadros com fotos; fotos antigas, que provavelmente não eram do médico ou da família dele.
- Bem Vindo.
- Bem vindo por quê? Minha vida está uma merda, eu acabei de cometer uma tentativa de suicídio, e você ainda me fala “bem vindo”?
Ele pareceu ignorar minha revolta e pediu para que eu sentasse.
- Por favor, comece. – eu disse ironicamente – Me enquadre em um de seus livros. CID 10? Ou seria DSM? Símbolo fálico? Ausência de presença paterna? Édipo? Imagino aonde tantas elucubrações irão te levar…
- Não são elucubrações, são apenas patologias.
Eu me calei. E o encarei fixamente. Passaram-se alguns minutos.
- Como você está se sentindo?
- Como um rato levando choques em laboratórios de pesquisa para estudantes de psicologia. – Dei um longo suspiro. Fazer o papel de revoltado cansava, e eu permiti a mim mesmo que minha guarda baixasse.
- Em que se consiste o tratamento? – eu falei.
- Terapia e medicação.
- E qual o diagnóstico?
- Isso importa?
- Aparentemente não… – eu disse ironicamente.
- Você não acha que existe algo a mais na vida do que uma busca por sentido?
- E quem te disse que isso é a única coisa que eu busco?
- É a única com a qual você se importa… Segundo o pouco que eu vi do seu comportamento.
(…)







